"Eles só têm medo de perder eleição."
>> 19 Julho, 2009
Intocáveis e invencíveis
Sob fogo cruzado de denúncias, juntam-se para se defender, como fizeram
PT e PMDB no Senado, embora digam sempre que é pela instituição, a mesma
que eles aviltam e apequenam com seus atos.
O dinheiro roubado de nossos impostos, teoricamente, pode até ser
recuperado, mas o crime de desmoralizar uma instituição democrática não
tem preço.
O que nos resta? Confiar na Justiça? Na Polícia? No ladrão? Com Sarney e
Renan comandando o Senado e espantados com a descoberta das 181
diretorias? A maior parte foi criada pelos dois. O resto, por Jader, ACM
e Lobão. E pior. Foram criadas por resoluções da Mesa e ninguém
reclamou. E mesmo se reclamasse não adiantaria nada. Tudo dentro da lei,
na liturgia do cargo.
Seria um exagero comparar as disputas pelo poder no Congresso com as
guerras de quadrilhas pelos pontos de venda de drogas nas favelas
cariocas? Só porque uns vendem crack e cocaína e outros, privilégios e
ilegalidades? Guerra é guerra, vale tudo na disputa pelos pontos de poder.
Se um tiroteio é de balas, o outro é de números e nomes, mas sempre
sobram balas perdidas. Mas, quando o cerco aperta, os dois bandos
acertam um armistício: o verdadeiro inimigo é a polícia. Ou, no caso do
Senado, a opinião pública. Porque eles não temem a polícia. Nem a Justiça.
Eles só têm medo de perder eleição.
Diante do pacto de não agressão entre os dois bandos, resta-nos confiar
nos ódios, nas invejas e nos ressentimentos das legiões de apadrinhados
que estão perdendo a boca e se vingando de seus traidores. Que muitas
falas perdidas encontrem seus alvos.
Diante da certeza de que eles vencerão, que jamais pagarão por seus
crimes, que continuarão ricos e corruptos, e até mesmo respeitáveis,
resta-nos ridicularizar suas figuras toscas, seus figurinos grotescos,
seus cabelos tingidos, suas caras botocadas.
Para que suas esposas e amantes leiam, e seus filhos se envergonhem
deles no colégio. Como nós nos envergonhamos todo dia.
Nelson Motta
(O Globo - 27/03/2009)
Nelson Motta
(O Globo - 27/03/2009)

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